Vá mesmo assim!

Atualizado: 5 de Set de 2019

Vai. E se tiver com medo, vá mesmo assim.


Essa frase, que parece ser aquelas frases de efeito efêmero de internet, nunca fez tanto sentido para mim há 6 anos atrás.


O cenário era o seguinte. 2013, final de fevereiro, final de Carnaval. Eu estava me preparando para passar alguns meses nos EUA. Há quase 2 meses tinha acabado de voltar de umas férias de 20 dias entre Los Angeles, Las Vegas e Hawaii, após 9 anos sem tirar férias. Para completar, a viagem foi feita junto com o tido “amor da minha vida”, que havíamos nos reencontrado após 8 anos de distância.


Em San Diego

A viagem foi perfeita, um sonho e tínhamos decidido nos “conhecer ainda melhor” ficando juntos alguns meses, enquanto eu faria um curso em San Diego. Na época tinha uma agência de marketing de conteúdo no Rio e todo o trabalho era feito basicamente online. Ia estudar escrita criativa na UCSD e estava com tudo pronto. Ia ficar durante a semana em San Diego, onde era o curso, e nos finais de semana encontraria com “amor da minha vida” em Irvine, que ficava algumas poucas horas de San Diego.


Não conhecia ninguém em San Diego. Somente uma funcionária de uma empresa que também tinha escritório no Rio e que era minha cliente.


A vontade de ir, estar em outro país, estudar algo que amava e estar com ele, era algo excitante e novo. Sempre fui de fazer tudo mais pensando e com mais tempo, e já tinha passado por uma experiência de fazer as coisas correndo e vi que não dava certo. Mas dessa vez, tudo estava dando certo. Estava com tudo pronto. Passagem, local para ficar, curso, ele iria me pegar no aeroporto primeiro e depois iria para San Diego. Que sonho!


Então, vamos voltar ao cenário finalzinho de Carnaval. Menos de 1 mês para eu ir nesta aventura.


Nos últimos dias do Carnaval eu fui parar na emergência oftalmológica, porque meu olho direito coçava e estava vermelho. Disseram, conjuntivite. Usa esse colírio por tantos dias e não use lentes.


Parênteses importante. Odeio óculos. Com toda a força do mundo. Odeio óculos. E meu grau é alto. Hoje em dia é 5 de miopia. Na época, 4.75. Não posso ficar sem óculos. Então, lá fui eu.


Quando achei que estava melhor e o Carnaval acabou, voltei ao escritório, mas logo o olho piorou e foi para o outro olho também. Fui para outra oftalmologista. Outro remédio. Dois dias depois, piorou absurdamente.


Fui para uma terceira oftalmo. Essa médica ficou horrorizada com meus olhos e pediu para não tocar em nada, porque era “muito contagioso” e que ela iria ligar para outra médica de olhos que era especialista no que eu estava tendo. Que medo, pensei! O que estou tendo??


De lá, peguei um táxi e corri para essa outra médica. 18h. Cheguei lá e fui atendida às 20h. Mesma recomendação, não toque em nada!!


Médica me atendeu. Falou que eu estava com uma conjuntivite viral grave e que teria que fazer uma pequena cirurgia nos olhos para retirar uma espécie de membrana que estava crescendo nos olhos e tinha que ser já.


Então, fiz o tal procedimento e saí de lá quase 23hs.


Quando a cirurgia acabou, comecei a sentir uma dor. Peguei um táxi de volta para casa e fui de Botafogo ao Leblon, onde morava, chorando que nem bebê. A dor evolui em um nível tipo insuportável.


Não conseguia dormir direito. Só chorava de dor. No dia seguinte, minha mãe foi até em casa para me ver. Mas eu não a via. Meus olhos incharam e fecharam por completo que fiquei sem enxergar. Ela me deu banho, me deu comida e fez as compressas de gelo para acalmar. Foram assim 2 dias. Quando finalmente comecei a enxergar melhor, mas como se tivesse um plástico na frente dos olhos e uma sensibilidade horrível à luz.



Dois dias depois da cirurgia


A partir daí foram muitas idas à médica, remédios, colírios, compressas e dificuldade de enxergar. E ainda a ameaça que não poderia viajar, porque era muito contagioso e não poderia pegar avião.


O tido “amor da minha vida” falava comigo todo dia. Acompanhava o meu drama e torcia para que eu melhorasse para chegar logo lá. Fazíamos planos.


Cheguei há 1 semana de ir para a minha viagem. Fui liberada pela médica. Contactei alguns médicos em San Diego, pois precisaria de acompanhamento. Tinha vários colírios comprados e todo um protocolo para seguir.


Era um domingo, estava toda a minha família lá em casa. O tido “amor da minha vida” fez um Skype. Eu estava feliz, faltava 1 semana apenas para eu ir e apesar do trauma e estar de óculos (lembra, odeio óculos), ía vê-lo.


Ele já começou o Skype estranho. Sério. Pessimista. Eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa. Ele disse “você não está entendendo...eu estou terminando com você”.


Sim. Ele terminou comigo. Sim, do nada. Sim. Sem explicações lógicas. A única explicação foi “não quero ter mais um filho. Você vai ficar dependente de mim.”


E continuou dizendo que ainda me buscaria e me colocaria no hotel até eu ir para San Diego.


Bom, o resultado final foi: Falei o que quis e desliguei. Fui até a minha mãe e disse o que tinha acabado de acontecer. Tinha decidido não ir. Ia desmarcar tudo. Estava sem enxergar direito. Não conhecia ninguém lá e nem a cidade. O medo tinha tomado conta de mim total.


Foi aí que a minha mãe-guru disse “Vá minha filha!!! Vá assim mesmo!!”.


Aquela frase, aquele empurrão, me encheu de coragem. Claro que tinha medo. Mas fui assim mesmo!


Eu fui. Achei um médico que cuidou de mim. Fui destaque no curso. Fui chamada para lançar um livro lá. Acabei ficando 1 ano no total (fui e voltei ao Brasil por 2 semanas). Venci meus medos. Conheci amigos queridos. E depois essa história se desdobrou em outra mais incrível (que conto um dia depois, tipo cenas dos próximos capítulos).



Despedidas com família e amigos


Sempre me emociono contando e relembrando dessa história e da importância de que temos que dar ao suporte, ao empurrão do “vai assim mesmo”.


A primeira foto é o meu segundo dia em San Diego. O resto foram os dias de alegria e vitórias dessa experiência divina na minha vida.


Nós temos duas opções. Ficar com medo e optar por pelo sofrimento com a história. Ou ficar medo e usar o problema para te impulsionar a criar novas e incríveis histórias. O que você escolhe?