Crianças que não comem bem: o que fazer?


Como health coach eu lido bastante com clientes que ou tem filhos pequenos ou planejam engravidar/adotar. Para ambas situações, todos se preocupam com as opções que os seus filhos estão tomando ou vão tomar com relação à alimentação. Aquelas crianças já crescidas, que torcem o nariz para qualquer coisa diferente de fast-food ou açúcar, parece ser uma batalha quase perdida.


Mães e pais me enchem de perguntas, “como faço para o meu filho comer verduras?”, “porque minha filha rejeita água?”, “como reduzir o açúcar da alimentação dos meus filhos” e por aí vai. Para ajudar a todas as mamães e papais de primeira viagem ou para aqueles que têm experiência com filhos, mas não lidam muito bem com a alimentação saudável, aqui eu separei algumas das sugestões que volta e meia passo para os meus clientes, tanto para os clientes de health coaching quanto para os de meal prepping, um dos programas em que organizo a cozinha dos clientes e preparo o menu inteiro e saudável para uma semana na casa do cliente.

Essas dicas não são somente porque trabalho como health coach, mas por ser madrasta de 4 crianças (uma na verdade já adolescente/adulta que acaba de sair de casa para a faculdade e que levou o conhecimento adquirido em casa para cozinhar sua própria comida na faculdade) com personalidades e gostos completamente diferentes. Ou seja, sei do que estou falando.😉


1. Suas crianças são seu reflexo:

Você pergunta porque seu filho não come salada, mas já se perguntou se você come? Até os 6, 7 anos os seus filhos vão copiar o que veem você comendo, se comportando, além é claro, do que você oferece para eles. Mas mesmo que você ofereça brócolis e você mesma não come ou faz um comentário ou cara de estranheza, mesmo sem perceber, já era.

Solução: Primeiro comece a avaliar a sua alimentação. Se você come mal, comece você a explorar novos sabores, novas opções e vá introduzindo aos poucos na alimentação das crianças. Se você come bem, meio caminho andado.

2. Sua cozinha, sua saúde:

Nada adianta preparar receitas saudáveis se você ainda mantiver chips, doces, refrigerantes ou qualquer outro produto/alimento não saudável na sua cozinha ou despensa. Se você tiver besteira disponível, você vai comer e o mesmo vai servir para eles.

Solução: Faça uma limpeza de “porcarias” da sua cozinha e despesa. E vá aprendendo substitutos para essas porcarias. Substitutos saudáveis para os momentos de “desespero”. Aos poucos (pode-se levar meses ou anos) essas vontades súbitas vão diminuir e até desaparecer.

3. A chave para ter uma alimentação saudável é: ORGANIZAÇÃO

Nada adianta querer comer saudável se você abre a geladeira ou a despesa e não encontra os ingredientes saudáveis para preparar.

Solução: Planeje, planeje e planeje. O menu da semana, os lanches das crianças para a escola, os doces saudáveis...tudo!

4. A regra de só no final de semana é balela!

No final de semana está liberado refrigerante. No final de semana está liberado se encher de doces industrializados. Isso é muito balela! Você não trata um drogado dizendo que no final de semana ele pode usar todas as drogas e durante a semana ele não pode, não é?

Solução: Se alimente e alimente os seus filhos de forma saudável durante a semana toda. Você pode criar versões saudáveis de doces e liberar no final de semana, mas como eles serão funcionais, o impacto no vício e no corpo será muito menor.


(Essa é a Bella sendo a minha assistente na cozinha)

5. Mão na massa!

Colocar a criança em contato com o momento de preparar o alimento vai atiçar a curiosidade, o desejo de comer algo que ela preparou e entender que o processo de cozinhar exige tempo e que não é tudo tão fácil como comprar um biscoito e abrir o pacote.

Solução: Separe mais de um dia na semana para ter a sua criança como assistente na cozinha. Ela pode fazer atividades sem perigo como picar folhas com a mão, cortar frutas com uma faca sem ponta, misturar massas, saladas e outras atividades que não envolvam perigo de corte ou queimadura.

6. Açúcar é ‘’o” problema!

Açúcar vicia. Está mais do que comprovado. Além disso, açúcar criar ilusão de conforto, de alegria, energia mas depois do efeito deixa cansaço, depressão e fome. Isso nas crianças causa diabetes, obesidade, depressão, hiperatividade, violência e outros problemas.

Solução: Simplesmente não tenha açúcar em casa. Tenha opções saudáveis como mel, açúcar de coco, melado ou stevia. Mas use apenas para preparar receitas de doces saudáveis. Não adoce chás gelados, sucos, nada! Deixa o seu filho acostumar o paladar. E por favor, não deixe seu filho experimentar o açúcar antes dos 3 anos!! Isso significa, nada de doces e industrializados!

7. E o mundo lá fora?

OK, você seguiu todas as dicas, come-se bem e saudável na sua casa. Mas aí ele passo o final de semana na casa de um amiguinho, na casa da avó ou outro parente sem esse conhecimento. Pronto! Ele vai voltar totalmente desprogramado.

Solução: Quando ele volta faça uma desintoxicação. Sopas leves, proteínas leves, muita água. Ele vai chiar, vai reclamar até ser violento, mas 2, 3 dias passa. Nessa hora, nada de pena. Um bom “não” é o que você precisa. E ele também!


PS: UMA HISTÓRIA CURIOSA

Por volta dos meus 3-4 anos de idade, eu tive um momento rebelde no que diz respeito à comida. Eu não queria comer nada, exceto "Danoninho". Eu poderia apenas comer isso! Eu fechava minha boca para outros alimentos e não havia como abrir. Então, as mudanças aconteceram quando minha mãe me levou a um médico homeopático, que disse a minha mãe que primeiro, não se preocupasse e não brigasse comigo, era meu corpo por algum motivo não queria nenhum nutriente diferente do que Danoninho e logo eu sentiria falta de outros alimentos e imediatamente pediria por eles. Mesmo sendo tão difícil, minha mãe esperou e em menos de 2 semanas comecei a comer novamente, e eu comi tudo, de vegetais a carne. Eu amo esta história porque mostra o quão inteligente é nosso corpo e quanto temos que escutar e respeitá-lo.

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